Esta lenda conta-se em Maçãs de Dona Maria, freguesia situada a uma dúzia de quilómetros de Alvaiázere. Trata de uma linda rapariga que vivia com os seus pais, que eram lavradores remediados.

E cada vez que a rapariga ia à talha buscar azeite, vivendo com intensidade aquilo que ela julgava ser castigo, o estar na aldeia, via-se espelhada na superfície do azeite e dizia:

– “Ai como eu sou tão bonita!”

E escutava uma voz a responder-lhe:

– “É a tua sina!”

Tantas vezes aquilo lhe aconteceu, que não resistiu a contá-lo à mãe. E esta, intrigada, recomendou-lhe que interrogasse a voz sobre o que queria dizer, que sina, afinal, seria a sua. E assim fez a rapariga, escutando:

– “Vais ter duas filhas mas, depois, passarás sete anos de vida mundana…”

A rapariga ficou transita. De quem seria a voz?

Na verdade, passados uns tempos, apareceu na aldeia um rapaz que era vizinho de outra terra, apaixonou-se pela jovem e pediu-lhe namoro, tendo ela aceite. Muito honestamente, a mãe preveniu o rapaz do que se passava, mas ele, tão apanhado estava, que insistiu em casar e casaram mesmo.

E tudo estava a correr muito bem quando a rapariga, após ter tido duas filhas, abandonou o lar e foi para a cidade, caindo numa vida mundana. E assim passou sete anos, até que largou tudo e regressou à terra.

Ora foi precisamente a mãe a primeira pessoa conhecida que viu, estavam ambas ao pé da ponte. A mãe reconheceu-a e, zangada, dando-lhe um empurrão, exclamou:

– “Andas por aqui, vagabunda?”

Caindo ao rio, a rapariga agarrou-se a uns salgueiros e salvou-se. Depois correu por uns campos fora, não se sabendo do seu destino.

Um dia, à porta do marido, que vivia com as filhas, bateu uma velhinha. As raparigas não sabiam quem era, mas tiveram muita pena dela e deixaram-na entrar. Deram-lhe de comer e passaram a tarde juntas, tendo a velha catado os piolhos às raparigas, lavando-lhes também as cabeças.

Depois, quis ir-se embora, mas elas arranjaram-lhe lugar para ficar num barracão anexo. Ela lá acabou por aceitar.

O pai chegou à noite, jantou e deitou-se. Mas à tantas da madrugada acordou com uma estranha de nocturna! Foi ver o que era e entrou no barracão onde estava a velha.

Mas a velha estava morta, deitado num caixão iluminado por centenas de velas acesas. Conforme a lenda, a pobre mulher expiara os pecados marcados pela sua sina. E com os sofrimentos do corpo, acabara por ganhar o céu.

 

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