Fernando Lopes, de seu nome completo Fernando Marques Lopes, um dos nomes de referência do Cinema Novo português, nasceu a 28 de dezembro de 1935 em Maçãs de Dona Maria e passou a infância em Vila Nova de Ourém, aos cuidados de uma tia, tendo entrado pela primeira vez numa sala de cinema naquela vila.

Aos dez anos foi viver para Lisboa, ao encontro da mãe. Pouco depois, começou a trabalhar, como paquete numa loja da Baixa Pombalina, prosseguindo os estudos no Ensino Técnico.

Despontou para o cinema através do movimento cineclubista, tendo integrado o Cineclube Imagem, animado por José Ernesto de Sousa.

Em 1957 Fernando Lopes concorreu ao quadro técnico da Rádio e Televisão de Portugal, então inaugurada. Ao fim de dois anos a trabalhar na RTP, obteve em 1959, uma bolsa do Fundo do Cinema Nacional, que o levou para Inglaterra. Aí obteve um diploma em Realização, na London Film School.

Fernando Lopes (Cineasta)
Fernando Lopes (Cineasta)

Regressado a Portugal, assinou em 1964 a obra “Belarmino”, uma média-metragem sobre a vida do pugilista Belarmino Fragoso, considerada obra-chave no movimento do Novo Cinema português, a par de outras obras tidas como motivo desse novo movimento, que bebia inspiração no cinema europeu do pós-guerra, nomeadamente nos filmes da Nouvelle Vague: Dom Roberto, de José Ernesto de Sousa, e Os Verdes Anos, de Paulo Rocha.

Em 1965 fez um estágio em Hollywood, onde permaneceu durante três meses. Ao regressar filmou Uma Abelha na Chuva (1971), baseado no romance homónimo de Carlos de Oliveira. Protagonizado por Laura Soveral e João Guedes, conta a história de um casal e a viver num meio rural, retratando um ambiente social rígido, com as três classes – o povo, a aristocracia e a burguesia – bem demarcadas.

Em 1976 realizou o filme “Nós Por Cá Todos Bem”, onde os atores profissionais se misturam com os habitantes de pequena aldeia da Várzea dos Amarelos, em Maçãs de Dona Maria. Possui uma forte componente documental, quebrando com os mecanismos convencionais da ficção que também utiliza. Conta a história de uma pequena equipa de filmagens numa aldeia entretida com alguns dos aspectos do seu dia-a-dia.

Com 80 minutos de duração e filmado a cores, o filme tem um elenco composto por nomes como Zita Duarte, Vanda França, Adelaide João, Fernando Barradas, Lia Gama, Paula Guedes, Margarida O’Neill e Elvira Marques e com banda sonora de Sérgio Godinho.

Fernando Lopes realizou ainda  a “Crónica dos Bons Malandros” (1983), “Matar Saudades” (1988) e “O Fio do Horizonte” (1993), sobre o funcionário de uma morgue que procura obsessivamente a identidade de um cadáver, adaptado da obra com o mesmo nome de António Tabucchi.

Em 2002, realiza “O Delfim”, a partir da obra de José Cardoso Pires, argumento escrito por Vasco Pulido Valente. Nas palavras do realizador na altura em que o filme chegou aos cinemas, foi “sobretudo um prodigioso pretexto cinematográfico para entender paixões e emoções, misérias e grandezas de um Portugal agonizante, em plena guerra colonial e com o seu ditador (Salazar) a morrer lentamente, como o país”.

Antes disso, em 1998, seguiu a coreografa Pina Bausch em “Lissabon Wuppertal Lisboa”, quando a sua companhia de dança esteve em Portugal para criar “Masurca Fogo”.

Mais recentemente realizou “Lá Fora” (2004), “98 Octanas” (2006) e “Os Sorrisos do Destino” (2009), que terá sido o primeiro filme em formato digital de Fernando Lopes.

Em março de 2012 chegou aos cinemas a sua última obra, “Em Câmara Lenta”, com produção de Paulo Branco. O filme, que tem argumento de Rui Cardoso Martins a partir do romance “Em câmara lenta”, que o escritor e advogado Pedro Reis publicou em 2006, tem como protagonistas Rui Morrison, João Reis, Maria João Bastos e Maria João Luís.

Fernando Lopes (Cineasta)
Fernando Lopes (Cineasta)

Fernando Lopes viu o seu trabalho ser, por várias ocasiões, distinguido e premiado, tendo sido condecorado pelo Governo francês com a Ordem do Mérito Artístico e pelo então Presidente da República Mário Soares com a Ordem do Infante D. Henrique pelo seu contributo dado ao cinema.

Foi ainda cofundador da RTP2 e seu director na década de 1980, numa altura em que a segunda estação pública ficou conhecida como Canal Lopes.

Lecionou durante vários anos no curso de cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa.

Era casado com a jornalista, tradutora e autora Maria João Seixas.

O cineasta faleceu no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, a 2 de maio de 2012 e onde estava hospitalizado há cerca de uma semana, com uma pneumonia e segundo fontes familiares, estava muito magro e não conseguia comer. Tinha um cancro na garganta, diagnosticado cerca de um ano antes.

Após câmara ardente no Palácio Galveias, em Lisboa, numa cerimónia laica, o corpo do realizador foi cremado numa cerimónia privada.

 

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